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Jogamos Aviãozinho do Tráfico 3: um dos jogos mais caóticos da Steam

3.0 estrela
Ricardo Brasiliano

Por Ricardo BrasilianoEditor Sénior

Jogamos Aviãozinho do Tráfico 3: um dos jogos mais caóticos da Steam

Não é sempre que se tem a oportunidade de jogar um jogo chamado ‘Aviãozinho do Tráfico 3: abri um portal para o inferno na favela tentando reviver Mit Aia e preciso fechar’. Mas cá estamos.

Com um título tão grande assim, creio que ninguém vai reclamar se só chamarmos o game de Aviãozinho do Tráfico 3 daqui para frente.

E sobre o longo subtítulo, pode parecer difícil de entender quem é ‘Mit Aia’, então traduzimos para você: não é ninguém menos do que o rei do Soul brasileiro, o cantor Tim Maia. O nome aparentemente teve que ser trocado por risco de processo.

Sendo assim, o que é o jogo, então? Aviãozinho do Tráfico 3 é um game de tiro em primeira pessoa (FPS) nos moldes do primeiro Doom, de 1993. Então espere ação frenética, tiroteio, inimigos meio burros e muita correria.

Isso é que é interessante, inclusive. O jogo pode realmente agradar os fãs de Doom e Quake antigos. Afinal, ele te dá aquela sensação nostálgica de pegar um jogo de tiro para sair atirando quase que só na horizontal sem se preocupar muito com a mira.

Ambientação

O que torna Aviãozinho do Tráfico único além do nome gigantesco é a ambientação. Como o próprio nome diz, ele se passa em uma favela carioca cheia de barracos e becos renderizados em um 3D sujo dos anos 90. Se já jogou Cruelty Squad vai entender o que estou falando.

Seus inimigos são moradores da favela transformados em zumbis após uma tentativa mal sucedida de reviver o Tim Maia (ops, Mit Aia). Alguns vão portar armas e outros estarão desarmados e estranhamente serão muito mais difíceis de matar do que os armados.

Quase todo mundo está vestido com camisas genéricas do Flamengo e há também alguns inimigos gigantes que absorvem mais dano e atiram mísseis no seu personagem. Tem também uns caras bem estranhos que parecem estar vestidos de super-herói (porém, eu admito que falhei em entender por que).

As referências são o ponto alto e tornam a experiência uma grande comédia. Eu ganhei uma conquista chamada ‘CLIENTE LIXO’ ao matar o dono de um boteco possuído e outra chamada ‘FOI DE VASQ’ ao morrer pela primeira vez.

Essa piada com o gigante da colina não é a única e faz a gente questionar se o criador do jogo não tem algo pessoal contra o Vasco da Gama.

No Doom original, quem jogou vai lembrar que no meio da tela tinha o rosto do seu personagem, que começava a exibir dor conforme você tomava dano. Aqui, em vez disso, temos emojis de WhatsApp que vão do feliz ao desesperado. Quando você está quase morto, o emoji aparece do lado de um escudo do Vasco.

Quer saber como funcionam as plataformas para apostar em eSports? Gameshub tem um guia sobre o tema.

Referências, muitas referências

As sátiras do jogo parecem infinitas e não se limitam a Vasco, Doom, Flamengo, favela e Tim Maia. Em um determinado ponto eu encontrei um cartaz com o mascote da Copa do Mundo de 2014, o Fuleco, aparentemente jogado na sarjeta com os dizeres ‘pentacampeão’ embaixo dele.

O Tim Maia é um caso à parte. Imagens pixeladas dele estão por toda a parte, fazendo com que o compositor de ‘Imunização Racional (Que Beleza)’ pareça uma espécie de Grande Irmão, como no livro 1984. Eu me senti o tempo todo observado por aquele grande cantor que partiu e nunca mais voltou.

Elementos do cotidiano do brasileiro também ganham bastante espaço aqui. O jogador recupera vida comendo pastel com caldo de cana e tem uma fase nos camelôs, por exemplo. Além disso, há uma hilária arma baseada nas garrafas de Guaraná Dolly (no jogo se chama Golly).

Aviãozinho do Tráfico 3 Dolly

Jogabilidade de Aviãozinho do Tráfico 3

O jogo é desafiador, exigindo velocidade e reflexo para escapar dos tiros dos inimigos enquanto os acerta. Você também vai precisar achar chaves para abrir portas, mas não é nada muito complexo e nem se aproxima de uma resolução de puzzle, por exemplo.

Só que há dois grandes problemas. Um é que o jogo realmente não vai muito além de ser um Doom repaginado. Outro é que o menu dele é uma bagunça. Tanto é que o próprio criador do game espalhou tutoriais na tela até para o jogador entender como salva.

Spoiler: não é só apertar F5 como em um Half-Life. Você precisa apertar ESC para entrar no menu, depois selecionar Single Player e aí, sim, clicar na opção de salvar.

Mesmo assim, dá para elogiar a criatividade e a diversão que o jogo proporciona, principalmente as boas risadas com todas as referências.

Brincadeira com o GOTY

Premiação de Game of the Year (GOTY) e Aviãozinho do Tráfico 3 parece uma combinação surreal mesmo para os anos estranhos em que vivemos, porém, é isso mesmo que aconteceu após o desenvolvedor de Megabonk pedir para ser retirado da categoria de ‘Melhor Estreia Indie’.

A publisher de Megabonk, NoQuarter, entrou na zoeira depois disso e postou na rede social X (Twitter) que somente Aviãozinho do Tráfico 3 poderia substituir o jogo deles na premiação.

Contudo, como os indicados já foram divulgados e a votação da premiação já começou, não teremos um momento ‘Ainda Estou Aqui’ com Aviãozinho do Tráfico 3 no GOTY. Não é hoje que o desenvolvedor Joevenon se tornará a Fernanda Torres dos gamers brasileiros.

Aviãozinho do Tráfico 3

PrósContras
FPS com muita ação.Proposta não traz muito valor de replay.
Dificuldade desafiadora.Menu confuso com muita fricção.
Referências hilárias.

Ricardo Brasiliano
Autoria de Ricardo Brasiliano

Repórter do Gameshub, sou formado em jornalismo pela USP e também escrevo para o 99Bitcoins. Minha vida gamer começou com um Atari e passou por um Mega Drive e todas as gerações do Playstation. Fã nº 1 do Hideo Kojima e entusiasta de RPGs.

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